Reflexões
Falsa piedade para com quem sofre
2011-08-24 16:02Continuamos no período do ano em que abundam as trocas mútuas dos desejos de boas férias ou, então, aquelas perguntas rotineiras: tiveste boas férias? As férias estão a decorrer bem…? O nosso Jornal, no dia 13 de Agosto, na carruagem das férias festejou os seus 57 anos a fazer memória e história das suas gentes. Foi uma oportunidade especial para reflectirmos o nosso jornal e de sentirmos a urgência e necessidade de imprimir os esforços necessários e possíveis, para que (o nosso jornal) continue a ser um instrumento útil e indispensável no desenrolar e afirmação da história das nossas gentes e paróquias.
Enquanto muitos tomam o período de férias para criar espaço para “bem respirar”, participar em eventos, estreitar relações familiares e de amizade, ou no dizer de Jesus de Nazaré, extrair o prazer dos pequenos momentos da vida, como por exemplo, “contemplar os lírios do campo”…, outros pensam em promover a morte, mediante a legalização da eutanásia (acção médica pela qual se acelere o processo da morte de um doente terminal ou se lhe tire a vida).
Ora, que outra coisa muitas mentes desejam promover quando mergulhadas numa cultura que valoriza mais o ter e o parecer do que o ser, ou seja, que se preocupa mais em possuir bens do que ser tranquilo, alegre e coerente? É curioso ver como os meios da comunicação social maquilham os semblantes e floreiam as palavras e gestos dos seus “actores” para os tornarem atraentes! Quem se deixa comandar literalmente por estes ventos – consumismo, hedonismo – na viagem da vida, escolhe sempre os trilhos, isto é, a facilidade em vez do caminho que supõe dificuldades e sacrifícios mas que leva à vitória.
Outrora, uma maioria de portugueses, mediante o referendo, deu luz verde para a legalização do aborto. Foi e continua a ser um desprendimento de energia física, psicológica e valores materiais, numa sociedade com uma baixa taxa de natalidade e consequente envelhecimento. Hoje, naturalmente, os mesmos ventos que empurraram para o aborto, como que impedidos de compreender o valor absoluto e a beleza da vida humana, fustigam o barco para a legalização da eutanásia. Parece que estamos numa sociedade tão estranha que não arranjamos tempo para pensar. Quem pensa, por exemplo, no suicídio, não quer de maneira nenhuma matar a vida, pôr fim à existência, mas matar a dor emocional, a angústia, o desespero que abate as suas emoções. Mas voltemos à questão da eutanásia promovida pela falsa piedade para com o doente sofredor. O doente, mesmo na fase terminal, o que quer não é pôr fim à existência. Deseja no fundo do seu íntimo ser ajudado e que lhe sejam dadas as condições que possibilitem assumir mais humanamente a sua situação. Deseja ser acolhido e experimentar ser amado por aqueles que o rodeiam. Em vez destes ventos fustigantes despenderem energia, valores materiais para formatar mentes de morte e consequente legalização da eutanásia, que tal invertermos a situação?
O Papa Bento XVI, na Jornada Mundial da Juventude em Madrid, consciente de que qualquer mudança exterior sem uma reorganização interior é uma mera máscara social, disse aos jovens: “Não somos frutos do acaso nem da irracionalidade, mas, na origem da nossa existência, há um projecto do amor de Deus”.
P. Ilídio Graça
“Faça de si uma pessoa mais saudável!”
2011-08-24 16:01Rubrica - “agir para a mudança:
Dar vida aos anos e não anos à vida - envelhecer com qualidade
Esta rubrica é dedicada ao idoso e tem como finalidade ajudá-lo a viver mais saudavelmente. Desta forma, enquanto enfermeiras, a estudar na Escola Superior de Saúde de Portalegre no Curso de Especialização e Mestrado em Enfermagem, o nosso intuito no presente espaço é dissipar-lhe algumas dúvidas, fornecer-lhe pequenas dicas para que se mantenha informado e esclarecido na área da saúde e uma forma de desenvolvermos uma das actividades do nosso Estágio de Especialização em Enfermagem na Comunidade.
Durante muitos anos a grande preocupação da investigação em saúde foi a longevidade. Hoje, o grande desafio das sociedades ocidentais prende-se com a qualidade de vida, sobretudo da pessoa idosa. Vive-se mais, mas os anos vividos também têm de ser acompanhados de saúde e bem-estar.
O processo de envelhecimento é uma fase da vida que ocorre naturalmente em todos os seres humanos e caracteriza-se por modificações físicas, psicológicas e sociais e condiciona transformações fisiológicas nos vários órgãos levando ao aumento da predisposição para o surgimento de doenças. Viver mais pode ter consequências e ser sinónimo de perda de autonomia, depressão, isolamento social, doenças, declínio funcional e aumento da dependência. Ainda assim idade não é sinónima de doença. A meta hoje, não tem que ver tanto com o prolongamento da vida, mas acrescentar-lhe saúde e bem-estar, por isso se diz habitualmente que se deverá dar vida aos anos e não anos à vida.
O envelhecimento saudável e a qualidade de vida são os grandes desafios. A mudança está nas mãos de cada um. É possível promover a saúde e a qualidade de vida, mantendo o corpo em forma, através de uma alimentação adequada, de estímulos físicos e com mobilidade mental e intelectual. Há que colocar em prática a velha máxima de mente sã em corpo são.
Actualmente envelhecer com qualidade passa pela promoção de estilos de vida saudáveis na população idosa. Esta tem como objectivo prioritário responsabilizar os idosos pela sua saúde, para isso deverão:
• Fazer uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e cereais com menos gorduras, menos sal e menos açúcar;
• Reeducar alguns dos seus hábitos - tabágicos, alimentares, de consumo de álcool ou outras drogas;
• Renovar as estratégias de combate ao stress;
• Ser disciplinados no cumprimento dos cuidados médicos básicos;
• Implementar programas de exercício físico adequados.
7 - As naturezas do homem
2011-08-24 16:01Pensamentos Existenciais VII
O Homem é um ser de natureza biológica que nasce inconsciente. Isto significa que, como ser vivo, está sujeito às leis da Natureza, comuns à Vida: nasce, alimenta-se, reproduz-se, cresce e morre.
Todos os seres vivos, incluindo os unicelulares, estão sujeitos a mutações ou transformações genéticas que lhes conferem qualidades próprias ou individualizadas. (Não há, no Mundo, dois seres vivos com o mesmo código genético). Assim, cada ser vivo é um indivíduo inconfundível e único!
As espécies animais estão dependentes da natureza cerebral que possuem.
Ao analisarmos a natureza humana, constatamos que o Homem, para além das qualidades inerentes ao ser vivo, possui outras bem mais complexas que o distinguem de entre todos os outros como ser consciente de natureza espiritual.
A Consciência é a voz secreta do Espírito que aprova ou reprova os nossos actos. Deste modo, o Homem tem a noção do Bem e do Mal, do que está certo e do que está errado. A Consciência é, portanto, a voz da Razão e do Entendimento.
O Entendimento provém da Racionalidade e esta do sistema neurocerebral.
Apesar de o nosso cérebro ter capacidade para decifrar fenómenos interiores e exteriores ao nosso corpo, é incapaz de esclarecer o misticismo da Alma e o mistério profundo da Existência – são mistérios da Natureza Divina e Transcendental, inacessíveis à Ciência e à nossa compreensão.
Se não houvesse Deus, não haveria mistérios intransponíveis pelos recursos da investigação científica e tudo seria claro e acessível ao nosso entendimento!
Para resolver enigmas ocultos, seria necessário possuir uma capacidade mental superior à da natureza humana!
Mas o pensador não pode desistir dos problemas que envolvem a Criação, mas deve procurar atingir o limite da sua racionalidade.
Todas as probabilidades lógicas da Vida indicam que Deus programou a Sua Obra envolta em mistérios e deu ao Homem a capacidade mental de revelar os que estão destinados à compreensão da natureza humana.
Se mais não houvesse, esta seria razão bastante para acreditar na Existência Divina e no Poder Omnipotente e Transcendental do Criador, apesar das ambições pretensiosas e conjecturas perversas, subjugadas aos interesses de ideologias subversivas de falsas filosofias, determinadas pela ingratidão dos homens!..
O Nosso “Senhor Vigário III - O “construtor”
2011-08-24 16:00Apesar da sua intensa actividade pastoral ainda lhe sobrou tempo para edificar lugares de culto dignos em diversas aldeias e de restaurar alguns dos existentes. Não me vou demorar a lembrá-los todos até porque os conhecemos. Depois foi edificação do edifício anexo à igreja matriz com infra-estruturas para a catequese e Livraria Paroquial e a restauração da própria igreja. Ainda me lembro de um dia ter desabafado comigo: “Alguns criticam-me por eu não ter restaurado primeiro a igreja mas, se apanhassem a igreja restaurada depois já não ajudavam para a construção desta obra que faz tanta falta como a igreja”. Só à custa da generosidade de alguns, do trabalho voluntário de muitos e da sua própria teimosia foi possível levar a bom termo essas obras. Vi-o, de mãos a sangrar, agarrado à picareta… Ao lado de algumas capelas, irão também surgir centros sociais paroquiais como o das Moitas, Pergulho ou Vergão.
A consciência de que “sem cultura não há pão”, levaram-no a acolher de bom grado e com entusiasmo a proposta de um grupo de proencenses, com o Sr. Armando Martins à frente, para a construção de um colégio onde os filhos desta terra pudessem estudar. Não só aceitou a proposta mas ele próprio deu a cara pela construção de um edifício com essa finalidade. Antes que tão ingente tarefa levasse ao desânimo, apressou-se a lançar as bases com o funcionamento dos primeiros anos em instalações anexas à Igreja da Misericórdia. Foi professor, deslocou-se a Coimbra à procura de professores que aqui quisessem leccionar, deu a cara pelos empréstimos necessários… Nesse tempo já eu era um jovem seminarista e passava a maioria do ano fora. Nas férias, preso na aldeia ao trabalho agrícola, mal me apercebia do que acontecia na vila. No entanto, ouvi tantas vezes o P. Alfredo contar-me o que aconteceu que me ficaram na memória muitas das angústias e alegrias desse tempo. Posso afirmar que o Colégio Diocesano era a “menina dos seus olhos” e a concretização do sonho de uma formação da nossa juventude de base verdadeiramente humana e cristã. Foi por isso que sofreu imenso com todo o processo “revolucionário” de transição do colégio para o ensino oficial. Ordenado sacerdote em 1974, vivi os meus três primeiros anos de sacerdote nesta terra e era professor no colégio, também um dos saneados pelos militares da 5ª divisão, quando se deu essa transição. Seria um nunca mais acabar e talvez pudesse ferir ainda algumas sensibilidades se falasse disso. O P. Alfredo nunca se convenceu da impossibilidade e até da inutilidade de restaurar o ensino particular em Proença. A degradação a que chegou o edifício que lhe tinha custado tanto suor e lágrimas foi uma dor para ele. Podíamos dizer que “morreu com o colégio atravessado” embora lhe tenha servido de algum conforto o facto de, nos últimos tempos da sua vida, ir ouvindo notícias do restauro que resultou no belo edifício em que nos encontramos.
Encontro partilhado de amor-amizade
2011-08-24 16:00(Celebrar 61anos de idade e 37 de sacerdócio)
Um grupo de amigos do Padre Armando deu-lhe um presente singular: organizou um encontro no seminário do Preciosíssimo Sangue, no dia 23 p.p.. Muitos casais jovens levaram os seus filhos. Ao chegar da Matriz, o festejado deu com aquele mar de gente que o recebeu com palmas e faixas de boas-vindas. Houve almoço e, ao longo de toda a tarde, como quem gosta de saborear a amizade, seguiram-se jogos, canções, vídeos, testemunhos orais e escritos, orações e lágrimas. Terminámos com a celebração da Eucaristia presidida pelo Padre Armando.
No decorrer desta tarde intensa, pudemos testemunhar como os Amigos floresceram nas muitas actividades pastorais desenvolvidas, nestes 37 anos de sacerdócio. Na sinceridade do coração, «A amizade é uma fonte de vida».
Que bom foi vê-los, tantos com os filhos, alguns bem pequerruchos, em tudo o que fizeram e disseram. É um bem precioso poder experimentar como aqueles que tocam o nosso íntimo, podem mudar a nossa vida e mitigar a nossa dor.
Ali me lembrei das palavras «É belo ser de Deus e conjuntamente do mundo; é belo esperar e estar com o amigo, porque tudo se encaminha para um sentido luminoso e positivo, na finitude e no infinito.»
Ali pulsou um coração plural, alimentado e animado pelo amor-amizade, pela beleza de crer, onde a fé no Divino fez florir o humano, nas palavras e nos gestos, na emoção e nos afectos.
A todos os que participaram, e aos que estiveram em espírito, que Deus vos recompense. BEM-hajam pela vossa pertença à vida do nosso querido Padre ARMANDO.
Como Marta e Maria, nós Te dizemos, Senhor, o nosso amigo e irmão está doente.
Férias, mesmo que seja do tipo caseiro!
2011-08-16 11:05O Homem do nosso tempo como o de outrora precisa de fiéis católicos para dar vida e ajudar a viver aquelas sábias e vivificantes palavras do Beato Papa João Paulo II: “Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!”
No dia 24 de Julho, domingo, creio que 53 jovens deixaram-se levar por esta exortação: “escancarai as portas a Cristo”. Assim, foram confirmados, isto é, disseram sim, nós cremos em Ti, meu Deus; dá-nos o teu Espírito Santo, para que nós Te pertençamos totalmente, que nunca nos separemos de Ti e Te testemunhemos com o corpo e com a alma, durante toda a nossa vida, em obras e palavras, nos bons e nos maus dias! Foi com esta aptidão e abertura, mediante o sinal da imposição das mãos e da unção com o Crisma, que obtiveram a força para testemunhar o amor e o poder de Deus com palavras e actos. Eles são agora membros legítimos e responsáveis da Igreja Católica. Ou vão desperdiçar o Dom que receberam? Neste tempo de confusão sobre o valor da oração, da magnanimidade da fé, da natureza da Igreja que leva, muitas vezes, a um profundo vazio existencial, convido a todos estes jovens… a animar o DOM que receberam e nunca deixar de difundir o “bom perfume de Cristo”!
Ao falar de DOM, gostaria de recordar ou homenagear os meus colegas da equipa ou de presbitério que neste mês completaram mais um ano sacerdotal. E porque sabemos que a Igreja funciona à semelhança do corpo humano que tem por cabeça Cristo Jesus, não ficaria bem, se todos os nossos paroquianos, amigos e leitores se associassem comigo para dar os parabéns aos padres José Luís Francisco, Armando Tavares e Virgílio da Mata que neste mês completaram, sucessivamente 40, 37 e 7 anos de vida sacerdotal. E ainda, em uníssono, parafrasear o apóstolo São Paulo: Caríssimos: Exortamo-vos a reavivar a chama do dom de Deus que receberam pela imposição das mãos do bispo do respectivo momento histórico da vossa ordenação. Para terem sempre aquele espírito que Deus sempre dá aos ordenados: espírito de fortaleza, de amor e sobriedade.
Uma vez que chegámos ao fim do ano pastoral, a nossa equipa sacerdotal - padres e diáconos - agradece a todos aqueles e aquelas que não pouparam energia para nos ajudar a impelir a nossa barca rumo a bom porto. Sabemos que dedicaram muito do seu tempo e entusiasmo ao serviço dos outros, para além das suas obrigações profissionais e familiares. Muitos, certamente, sem oportunidade nem serenidade para interrogar sobre o profunda razão do serviço em prole da comunidade.
Ora, felizmente muitos têm a oportunidade de gozar umas férias. Mesmo que estas sejam do tipo “caseiro” são oportunas para se libertarem da rotina e pressão da responsabilidade e olharem no interior de si mesmo. Estas férias, sendo vividas de forma inteligente, isto é, com espaços para respirar, usufruir de gestos pessoais, quer no contacto com a natureza, quer com a família, amigos, particularmente Cristo Jesus, levam-nos a retemperar as forças e retomar a vida digna de pessoa, imagem e semelhança de Deus. Eis o tempo favorável! Retempere as suas forças!
Como habitual, a redacção do nosso Jornal não publica o número de 10 de Agosto, assim desejamos, se é o caso, boas férias aos nossos estimados assinantes e leitores renovando mais uma vez o convite para a festa dos 57 anos do nosso Jornal a fazer história e memória do Concelho de Proença-a-Nova, a realizar-se no dia 13 de Agosto. Desde já, bem-haja pela sua presença e colaboração!
P. Ilídio Graça
Pontos de Vista - Os excessos dos media
2011-08-16 11:04O escândalo das escutas ilegais que levou ao encerramento do tablóide britânico News of The World não pode deixar de merecer reflexão. Desde logo porque demonstra o que tecnicamente se sabe que é simples nos dias que correm: basta querer para escutar conversas alheias. Uma simples pesquisa no Google faz surgir uma lista de aparelhos de baixo custo, usados por detectives ou por simples curiosos, que permitem com facilidade interferir numa chamada telefónica. Em Portugal têm surgido constantes casos e suspeitas de escutas abusivas, tanto no seio das polícias e serviços de segurança como por vias “amadoras”, e o problema tenderá a densificar-se à medida que as tecnologias disponíveis se multiplicam.
A par da questão tecnológica, surge o problema legal e deontológico. Quando a direcção de um jornal considera legítimo escutar personalidades políticas, familiares de vítimas de atentados e até interferir em investigações policiais, apagando mensagens de telefone de pessoas desaparecidas, estão eliminadas todas as fronteiras que deveriam orientar o trabalho dos profissionais dos media.
Nos comentários que se seguiram ao escândalo, li colunistas argumentando que se o caso se tivesse passado com um jornal português, provavelmente os outros se calariam, numa atitude corporativa. Duvido. Nas redacções todos os dias há atropelos ao código deontológico – e basta ver os telejornais ou abrir os jornais para o perceber – mas o exagero ou a dramatização dos problemas nunca me pareceu o melhor caminho.
Claro que haverá, certamente, quem argumente que se em Portugal não se utilizam estes esquemas é apenas porque não há capacidade económica para o fazer. Os grupos de media vivem tempos difíceis e não pagam, por baixo da mesa, as quantias de que se ouve falar lá fora. Talvez. Ainda assim, acredito que a conhecer-se um escândalo desta natureza, haveria uma reacção violenta da classe. A pressão por notícias bombásticas, a exigência económica de vender notícias, faz muitos profissionais esquecerem princípios, mas ainda há muitos jornalistas atentos e que nas redacções mantêm um debate interno imprescindível para que o bom senso (pelo menos esse) não se perca.
As redacções sempre foram espaços de liberdade. Hoje a pressão económica e a precariedade do emprego ameaçam essa liberdade, mas não será saudável pintar o quadro mais negro do que ele é. Continua a discutir-se a utilização abusiva de imagens chocantes, a identificação de menores, a utilização de informações sujeitas a segredo de justiça ou a utilização excessiva de fontes anónimas. E enquanto houver debate interno, há abusos evitados ou travados a tempo. O que se espera é que esse debate nunca se perca.
M.I.C.
Pensamentos Existenciais VII - 6 - O Egocentrismo
2011-08-16 11:01A palavra “egocentrismo” é formada por dois elementos latinos: “ego”, eu e “centrum”, centro e significa o estado de espírito do indivíduo que se julga o centro do mundo que o rodeia.
Este sentimento brota do instinto de conservação, intimamente associado à natureza biológica e é comum a todos os seres vivos. As próprias raízes das plantas lutam, entre si, debaixo da terra, com as raízes das outras que tentam invadir o seu espaço.
O egocentrismo humano nota-se com maior evidência na primeira infância das crianças: todos os brinquedos são dela e reclama todas as atenções para si. Este sentimento vai desaparecendo, logo que entra na escola e começa a conviver, a angariar amizades e a desenvolver o espírito de solidariedade.
Porém, quando o egocentrismo se prolonga, converte-se em egoísmo exacerbado – estado de espírito deplorável de pessoas que só tratam de si e cuidam, apenas, dos próprios interesses!
Este estado de alma é característico de pessoas medíocres, fracas de espírito e, poderemos, mesmo, dizer, imaturas! Por isso, revelam-se incapazes de crescer na sua personalidade e de se adaptar às vicissitudes da vida em sociedade!
Os sentimentos e interesses das pessoas vão evoluindo, de acordo com a sua personalidade. Esta está dependente da natureza genética, do sistema neurocerebral e da formação do indivíduo.
Sabemos que não há duas pessoas com o mesmo código genético, com a mesma capacidade mental e com formações iguais.
Daqui resulta, necessariamente, que, além dos egoístas, existem no Mundo pessoas dedicadas aos outros que chegam a atingir, por vezes, níveis de altruísmo!
Que diferença entre um louco mental que mata por sadismo o seu semelhante e o homem que arrisca a sua vida para salvar a vida do outro!
Portanto, embora tenhamos que viver com o genoma e o sistema neurocerebral que recebemos, somos responsáveis pela nossa educação, pela formação da nossa personalidade e pela sublimação do nosso espírito.
Deus deu ao Homem a capacidade de evoluir. Cabe a cada um de nós rentabilizar os dons divinos que recebeu e procurar cumprir, com escrúpulo e devoção, o papel que nos é proposto no seio da Criação.
Fernando Santiago Domingos
“Sacramentos: forças que saem do Corpo de Cristo”
2011-07-18 15:43Neste período do ano, propício à celebração das grandes festas, permitam-me saudar, felicitando particularmente os nossos assinantes e amigos que se preparam ou que já receberam os grandes sacramentos da Igreja, nomeadamente o Matrimónio e o Baptismo. E nesta linha também me dirijo aos nossos paroquianos e a todo o povo de Deus. É super importante que todos os filhos de Deus, isto é, que todos nós os Baptizados entendamos os Sacramentos da Igreja, os Sacramentos que recebemos e celebramos. A minha intenção aqui, para além de manifestar a minha alegria e amizade àqueles que se abriram com fé e entusiasmo aos Sacramentos, é despertar nos fiéis, mergulhados nas ondas de desânimo e futilidade, o amor aos sacramentos. Quem habitualmente participa na celebração dos Sacramentos, não só na Eucaristia dominical mas também no Baptismo… certamente está sensível àquela linguagem rica de símbolos e de imagens capazes de falar imediatamente ao coração. Contudo, se ainda não está sensível a esta linguagem, chegou a altura, parafraseando S. Paulo, de despertar do sono porque a noite vai adiantada e aproxima-se o dia. Porventura não é verdade que conhecemos realmente só quem e aquilo que amamos? E isto é válido sobretudo para o conhecimento de Deus e dos seus mistérios, que superam a capacidade de compreensão de nossa inteligência. Só conhecemos Deus se o amamos!
Os Sacramentos são forças que saem do Corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante, acções do Espírito Santo. No dia 24 de Julho, meia centena de jovens das nossas paróquias vão festivamente receber o Sacramento da Confirmação, isto é, vão assumir com o Espírito Santo a missão de difundir o “bom perfume de Cristo”. É importante reconhecer como é importante e indispensável para cada cristão a vida sacramental na qual o Senhor através desta matéria, na comunidade da Igreja, nos toca e nos transforma. Desafio particularmente estes jovens crismandos e todos os fiéis que intuem a força e a beleza dos sacramentos a dar relevo ao aprofundamento desta matéria. O catecismo da Igreja católica assim como o compêndio, (fácil de adquirir na nossa livraria), para além de nos oferecer um quadro sistemático dos sacramentos, oferece-nos também o quadro completo da revelação cristã, que devemos aproveitar com fé e gratidão.
Neste domingo, 10 de Julho, envolvidos pelo sol do verão, concretizamos as promessas de 22 escuteiros do nosso Agrupamento 157. A envolvência da praia fluvial do Carvoeiro, a liturgia eucarística e toda a mística das promessas, apoiada e participada pelos familiares e o Agrupamento de Estremoz, apoiam o que disse atrás e convidam os fiéis a fazer o caminho da descoberta da Liturgia como uma maravilhosa sinfonia que nos fala de Deus e do seu amor que solicita a nossa adesão firme e resposta laboriosa.
Neste momento histórico em que a conjuntura social parece confusa e medonha, nas horas de trabalho como nos seu ritmos frenéticos e nos seus períodos de férias, temos de reservar momentos para Deus, abrir-lhe a nossa vida, dirigindo-lhe um pensamento, uma reflexão, uma breve oração e principalmente não podemos esquecer que o domingo é o dia do Senhor, o dia da liturgia para vislumbrar na Palavra de Deus… a própria beleza de Deus, deixando-O entrar no nosso ser.
P. Ilídio Graça
Educar é ver mais longe
2011-07-13 14:47Nota Pastoral sobre EMRC
Nota Pastoral do Bispo de Aveiro sobre as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC)
1.O mês de Junho é para as escolas e para quantos nelas estudam e ensinam o mês de avaliação do ano lectivo que termina e o mês de matrículas em ordem ao novo ano que vai começar. É o mês de exames de avaliação para aferir o passado e o mês de projectos educativos para desenhar o futuro. Devia, por isso mesmo, ser mês de festa e de alegria, de gratidão e de esperança.
O que se vive e celebra nas escolas reflecte-se nas famílias e nas comunidades. A escola não é indiferente ou marginal a nada nem a ninguém na comunidade em que está inserida. O que ali se ensina e aprende, realiza e acontece, define e decide o rumo da sociedade que queremos ser.
Um exame não avalia apenas o aluno e o professor. O seu resultado não lhes pertence em exclusivo. É êxito ou fracasso de todos nós. Uma avaliação feita na escola é, também, oportunidade de aferição de critérios educativos e de valores vividos em casa e na terra e uma matrícula aí realizada é sempre portadora de um projecto de futuro para a família e para a comunidade.
2.Na escola, semeia-se, constrói-se, ensina-se, educa-se e sonha-se. E isso é acção permanente. É trabalho de todos os dias do ano lectivo. A escola é casa de janelas abertas ao futuro. O hoje da escola é sempre vigília do amanhã. É que, educar é ver mais longe. É olhar para lá do óbvio, do efémero e do tempo presente.
Na escola, o tempo não passa. Muitas vezes cansa e desgasta. Mas também encanta e deslumbra. A escola faz crescer e sonhar. E por isso, aí se educam os alunos e se perpetuam os mestres. Por isso, cada novo ano lectivo é para a escola sempre o primeiro. Aquele em que tudo se investe e em que todos trabalham, como se fosse o único.
O trabalho na escola não vale apenas por si. O trabalho pedagógico desenha, com um misto de arte, saber e paciência, traços da alma em cada um dos alunos. É sempre trabalho fecundo.
O trabalho educativo não é prisioneiro de cálculos, nem se encerra nas grades do tempo. Educar é, de certo modo, semear para a eternidade.
Na escola, não se produzem coisas. Nem nascem aí os sábios. Formam-se pessoas, em aturado e cativante trabalho de atenção dada à alma que habita em cada um dos alunos.
Dada a complexidade da missão e a grandeza do desafio de educar, ninguém se pode dispensar de trabalhar nesta causa. A educação é leme que nos guia neste sulcar de oceanos imensos de um contínuo «aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver em relação com os outros”, como nos propõem os objectivos pensados para a educação na Europa.
É neste compromisso comum que todos nos sentimos implicados e envolvidos: alunos, pais, encarregados de educação, professores, funcionários e membros da comunidade. É com todos nós que a escola se faz.
3.Deste olhar realista e abrangente para a escola e para a missão de educar nasce o dever e o direito, legalmente afirmado e respeitado, da presença e da acção da Educação Moral e Religiosa na escola.
A Igreja, no que à Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) diz respeito, assume esta missão com sentimentos de alegria e sentido de responsabilidade, consciente de que aí, fiel ao anúncio do Evangelho, pode e deve realizar um belo e necessário serviço a toda a comunidade humana.
Estamos presentes e disponíveis para trabalhar com aqueles que, por sua opção livre ou por escolha decidida dos seus pais, procuram nas aulas de EMRC um espaço e uma oportunidade de aprofundar saberes, delinear critérios de vida, afirmar a fé cristã e encontrar valores que alicercem e consolidem o seu caminhar rumo ao futuro.
A presença da EMRC na escola, desde o 1.o Ciclo até ao termo do Secundário, transporta em si um permanente e interventivo empenhamento por parte dos alunos e professores desta disciplina no projecto educativo da escola e na abertura à comunidade educativa alargada, com quanto isso supõe e exige de competência profissional, disponibilidade de tempo, compromisso de acção e testemunho de vida.
Os alunos e os professores de EMRC não estão sós nesta missão. Está com eles toda a Igreja, que deste modo se compromete e empenha.
São muitos, também, aqueles alunos que sem uma opção clara de fé ou porventura mesmo distanciados de qualquer crença religiosa procuram nas aulas de EMRC um espaço de diálogo e de abertura ao confronto de ideias e à afirmação dos valores éticos de um sadio humanismo. Trazem consigo, aliada a uma natural e espontânea curiosidade de saber, a seriedade de quem lucidamente procura a verdade e nesta procura muitas vezes encontra Deus e sente a Sua discreta e actuante presença.
Pertence à comunidade no seu todo e concretamente às famílias cristãs sensibilizar os alunos para o valor e para importância da matrícula em EMRC, que sendo uma disciplina de opção exige e supõe a afirmação expressa da vontade de nela se inscrever.
Sei quanto esta presença na escola é exigente e simultaneamente difícil e gratificante para cada um dos alunos e professores. Mas sei, igualmente, que a EMRC constitui um bem para os alunos, para os professores, para a escola, para as famílias e para a comunidade.
Esta reflexão é, por isso também, palavra de gratidão dita a todos quantos trabalham nas nossas escolas e em tantas outras frentes de serviço, na família e na comunidade, em prol de uma educação integral das crianças e dos jovens de hoje.
O futuro das pessoas e o rumo das sociedades decidem-se, muitas vezes, em pequenos gestos e dependem de humildes e discretas decisões de quem sabe que educar é ver mais longe, para, em cada dia que passa, formar pessoas felizes, preparar um amanhã diferente e construir um mundo melhor.
Aveiro, 15 de Junho de 2011
+António Francisco dos Santos -Bispo de Aveiro