Património -Igreja Matriz de Proença-a-Nova: catequese em Imagem

11-06-2011 18:00

 

Como sabemos, as palavras são meios pelos quais nos comunicamos. Mas nem sempre atingem a profundidade do nosso pensamento. Daí a importância das imagens e símbolos. A Bíblia Sagrada, por exemplo, está repleta de símbolos pelos quais os autores sagrados descrevem as operações de Deus na história. Retomando a rubrica “Igreja Matriz de Proença-a-Nova: “catequese em imagem”, ressaltamos as capelas do Baptismo e da Reconciliação. Assim, verificamos na capela baptismal, situada onde outrora era o altar da Sagrada Família, um painel com a representação da pomba a irradiar sobre a pia baptismal. Ora, a pomba com as suas características de brandura, doçura, amabilidade, inocência, suavidade, paz, pureza, paciência sugere a acção do Espírito Santo. Aliás, na entrada principal do lado direito da igreja está também um painel, marco do antigo

baptistério, que retrata o Baptismo de Jesus relacionando a pomba com o Espírito Santo.

“Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele” (Mt4,16). E como que para completar a sapiência da pomba está a irradiação sugerindo a ideia da chama que ilumina e o fogo que purifica. “Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo e pousou uma sobre cada um deles” (Act2,3). ). A chama ilumina. O fogo purifica. O Espírito faz as duas coisas. Por último, sobrevoando as catorze estações da via sacra, referenciamos o painel também em azulejos modernos da capela da Reconciliação. Aqui está retratada a conhecida “parábola do filho pródigo” que pretende apresentar-nos a lógica de Deus. Deus é o Pai bondoso, que respeita absolutamente a liberdade e as decisões dos seus filhos, mesmo que eles usem essa liberdade para procurar a felicidade em caminhos errados; e, aconteça o que acontecer, continua a amar e a esperar ansiosamente o regresso dos filhos rebeldes.

Quando os reencontra, acolhe-os com amor e reintegra-os na sua família. Essa é a alegria de Deus. Assim podemos observar no painel, embora simples, a grandeza da parábola que evidencia “o Pai bondoso e misericordioso”. À esquerda de quem olha está retratado o filho rebelde, sentado, pensativo tendo à sua guarda sete porcos, simbolizando cada um dos sete pecados capitais. Ao centro a janela em cruz. Passando pela cruz, símbolo do perdão obtido no Sacramento da Penitência, encontramos à direita a imagem de Deus, Pai de Misericórdia, correndo pressuroso para abraçar o filho que regressa. Depois disto, permita-me uma breve referência aos azulejos que revestem uma boa parte das paredes da igreja. Deparamos com três tipos de azulejos, os mais antigos tipo Lorvão do século XVII. Antes da restauração da igreja, entre 1980- 1984, eram ornamento do jazigo da família Teles, posteriormente parte da capela do Santíssimo. Devido à fragilidade das paredes laterais da capela foram retiradas e fixadas ornamentalmente, como se pode ver à entrada da capela do Santíssimo Sacramento, à volta do Sacrário e na capela das almas a sul da nave. Depois verifica-se uma outra categoria de azulejos ao longo do corredor da igreja e capelamor, a imitar azulejos policromáticos do século XVII, mas recentes, pois colocados no tempo do padre António Cardoso Sequeira, natural da Atalaia, Sobreira Formosa. O resto dos azulejos que revestem a capela do Santíssimo e as capelas do Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora da Assunção são réplicas dos primeiros citados, no entanto, para o desgosto do padre Alfredo Dias, então pároco no tempo da última restauração 1980-1984, ficaram muito aquém do que se pretendia.

Pe. Ilídio Graça